Representação nacional dos empregados faz reunião sobre campanha salarial na Caixa
Reunião do Comando Nacional dos Bancários e da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) acontece nesta segunda-feira, 8 de outubro, às 15h, em São Paulo (SP), para discutir a campanha salarial geral de 2007 e a campanha de questões específicas na Caixa Econômica Federal.
Um dos pontos em debate é a ameaça da Caixa de ajuizar dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A ameaça, travestida de chantagem, foi repudiada pelo Comando Nacional – CEE/Caixa.
O entendimento é de que a proposta da empresa é insuficiente e representa um retrocesso em relação ao patamar alcançado em negociações dos anos anteriores. O Comando Nacional e a CEE/Caixa lembram ainda a contradição da empresa revelada nesta campanha salarial: cria uma vice-presidência em nome do aprimoramento das relações com o seu quadro de pessoal e, na primeira oportunidade, demonstra exatamente o contrário do que tem pregado.
Os empregados da Caixa não se intimidaram com a ameaça e continuam em greve por tempo indeterminado. A continuidade da paralisação foi aprovada pelas bases sindicais que realizaram assembléias na última sexta-feira. Novas assembléias estão marcadas para hoje (segunda-feira). A disposição dos empregados é manter o movimento coeso e forte em todo o país.

Nota da Fenae condena ameaça e cobra da presidenta da Caixa retomada das negociações
Em resposta à ameaça de dissídio coletivo, a Fenae divulgou uma nota reiterando que o tribunal que acaba com a greve não tem o poder de acabar com o conflito. Registrou também que nenhuma diretoria da Caixa conseguiu derrubar o movimento e não vale a pena a atual tentar, conclamando todos os empregados a continuarem em greve, para demonstrar claramente que a Caixa deve encaminhar uma proposta digna de ser apreciada nas assembléias.
O diretor-presidente da Fenae, José Carlos Alonso, encaminhou na tarde de sexta-feira (dia 5 de outubro) uma mensagem para a presidenta da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho. Confira o texto na íntegra:
“Senhora presidenta,
A greve dos empregados da Caixa completou hoje três dias e atinge unidades de todo o país. É preciso acharmos uma saída negociada, que traga tranqüilidade aos empregados e que evite maiores danos à imagem institucional da empresa e do próprio governo.
O caminho apontado pelos negociadores da Caixa, o ajuizamento do dissídio no Tribunal Superior do Trabalho (TST), pode até resolver a questão da greve, mas fica longe de resolver o conflito. E certamente trará péssimas conseqüências ao clima organizacional e às relações internas.
Assim, em nome das 27 Apcefs, que representam parte significativa dos empregados da Caixa, vimos solicitar a imediata reabertura da negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa)”.
Atenciosamente,
José Carlos Alonso
Diretor-presidente da Fenae
Contraf/CUT e Apcef/SP divulgam nota
Além da Fenae, publicaram nota em protesto contra a postura da diretoria da Caixa a Contraf/CUT e a Apcef/SP. O artigo do presidente da Contraf/CUT, Vagner Freitas, classifica a ameaça da diretoria como uma “prática da ditadura”. Para ele, é inconcebível que a direção de um banco público aja de maneira mais retrógrada do que a banca privada, tendo em vista que, bem ou mal, negociamos todos os anos com a Fenaban à exaustão. Ele acrescentou: “Existem conflitos , os bancos reprimem as greves de maneira dura, usam a justiça e interditos proibitórios (mecanismo feudal) para a polícia atacar os grevistas, mas nem eles ameaçaram nos últimos anos recorrer aos tribunais”.
O documento da Apcef/SP foi encaminhado à presidenta da Caixa Maria Fernanda Ramos Coelho. A associação paulista critica a postura intransigente da empresa e solicita a retomada dos debates da pauta específica. Na correspondência, a Apcef/SP espera diz que o bom senso prevaleça e que a diretoria da Caixa mantenha o TST longe das negociações.

Greve na Caixa cresce no Brasil inteiro, apesar da ameaça de ajuizamento de dissídio coletivo
Saiu pela culatra o tiro dado pela Caixa de ameaçar ajuizar dissídio coletivo no TST. A resposta dos empregados foi imediata, forte e coesa: a greve por tempo indeterminado continua no Brasil inteiro, conforme decisão apreciada pelas assembléias sindicais ocorridas na última sexta-feira, dia 5 de outubro.
Nesta segunda-feira, dia 8 de outubro, novas assembléias serão realizadas para avaliar os próximos passos do movimento. A manutenção da greve deverá aprovada, pois até o momento não há o registro de qualquer avanço nas questões específicas da campanha salarial deste ano.
Confira, abaixo, os estados que aprovaram a continuidade da greve na Caixa:
Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia (Extremo Sul – Feira de Santana – Ilhéus – Irecê – Itabuna – Jequié – Salvador – Vitória da Conquista),
Ceará (Cariri – Fortaleza),
Distrito Federal, Espírito Santo (Anchieta – Alegre – Cachoeiro de Itapemirim – Castelho – Colatina – Domingos Martins – Guaçu – Guarapari – Iúna – Itapemirim – Linhares – Nova Venécia – Muqui – São Gabriel da Palha – São Mateus – São Silvano – Vitória),
Goiás, Maranhão, Mato Grosso (Alta Floresta – Cuiabá – Várzea Grande),
Mato Grosso do Sul (Campo Grande – Corumbá – Fátima do Sul – Maracaju – Naviraí – Ponta Porá – Três Lagoas),
Minas Gerais (Belo Horizonte – Cataguases – Congonhas – Divinópolis – Ipatinga – Itaúna – Juiz de Fora – Mateus Leme – Pará de Minas – Patos de Minas – Pitangui – Sete Lagoas – Teófilo Otoni – Uberaba – Zona da Mata e Sul de Minas),
Pará, Paraíba (Campina Grande – João Pessoa),
Paraná (Arapongas – Apucarana – Arapoti – Assai – Assis Chateubriand – Bandeirantes – Cambé – Campo Mourão – Cambará – Cornélio Procópio – Curitiba – Guaíra – Guarapuava – Ibaiti – Ibiporã – Iporã – Ivaiporã – Jacarezinho – Jaguariaíva – Jandaia do Sul – Londrina – Mamboré – Marechal Cândido Rondon – Palotina – Paranavaí – Pitanga – Porecatu – Ribeirão Claro – Rolândia – Santo Antônio da Platina – Siqueira Campos – Toledo – Umuarama – Vale do Paranhana – Wenceslau Braz),
Pernambuco, Piauí (Campo Maior – Corrente – Floriano – Oeiras – Parnaíba – Piripiri – Teresina),
Rio de Janeiro (Angra dos Reis – Barra do Piraí – Baixada Fluminense – Campos dos Goytacazes – Itaguaí – Itaperuna – Itatiaia – Macaé – Niterói – Nova Friburgo – Petrópolis – Resende – Rio de Janeiro – Seropédica – Sul Fluminense – Teresópolis – Três Rios – Vassouras – Volta Redonda),
Rio Grande do Norte (os gerentes aderiram à paralisação),
Rio Grande do Sul (Alegrete – Cachoeira do Sul – Camaquã – Carazinho – Caxias do Sul – Cruz Alta – Erechim – Guaporé – Horizontina – Ijuí – Itaqui – Lajeado – Litoral Norte – Nova Hamburgo – Passo Fundo – Pelotas – Porto Alegre – Rosário do Sul – Rio Grande – Santo Ângelo – São Borja – Santa Cruz do Sul – São Leopoldo – Santa Maria – Uruguaiana – Vale do Cai – Vacaria),
Rondônia, Roraima, Santa Catarina (Chapecó – Concórdia – Criciúma – Florianópolis – Oeste Catarinense – São Miguel do Oeste),
São Paulo (ABC – Araçatuba – Araraquara – Assis – Baixada Santista – Bragança Paulista – Barretos – Bauru – Bertioga – Campinas – Catanduva – Franca – Guaratinguetá – Guarulhos – Jaú – Jundiaí – Limeira – Lins – Marília – Mogi das Cruzes – Peruíbe – Presidente Prudente – Presidente Venceslau – Ribeirão Preto – São Carlos – São José dos Campos – São José do Rio Preto – São Paulo – Santos – Sorocaba – Taubaté – Tupã – Vale do Ribeira – Votuporanga),
Sergipe e Tocantins.