Negociação específica com a Caixa não avança e Contraf/CUT orienta para a greve
A Caixa Econômica Federal mais uma vez não trouxe novidades para a mesa de negociação. Após o terceiro encontro entre trabalhadores e banco que ocorreu em 1º de outubro, em Brasília, a orientação da Contraf/CUT é para os empregados da Caixa participarem das assembléias do dia 2 de outubro e, assim, votarem pela deflagração de greve por tempo indeterminado a partir de 3 de outubro – quarta-feira
Não foi agendada, até agora, nova rodada de negociação. A proposta da Caixa permanece no seguinte patamar: cumprimento dos itens da Fenaban e compromisso de unificação das tabelas do Plano de Cargos e Salários (PCS), o que demonstra completa falta de sensibilidade para atender as demandas do conjunto de seus empregados. O aceno feito é apenas para eventuais alterações no PCS/PCC, porém sem definir claramente os parâmetros dessa reestruturação e os critérios de negociação.
A empresa também se nega a discutir de maneira mais abrangente a questão da isonomia entre novos e antigos empregados. E também alega eventual redução do resultado anual previsto para 2007 acarretará em empecilho para praticar uma PLR nos moldes do ano passado.
A Contraf/CUT – CEE/Caixa considera a postura da Caixa preocupante e desrespeitosa. Isto não deixa outra alternativa senão a das entidades sindicais defenderam nas assembléias de 2 de outubro a rejeição da proposta da Caixa, iniciando a partir de 3 de outubro greve por tempo indeterminado, conforme previsto no calendário de mobilizações do Comando Nacional dos Bancários.
Paralisações de 24h em 28 de setembro
Diversos empregados da Caixa têm questionado o fato da empresa estar lançando a paralisação de 24h do dia 28 de setembro como falta comum no ponto eletrônico, conforme orientação da CI-Geret/030.
Esclarecimentos foram solicitados pela Contraf/CUT e a Caixa afirmou que expedirá nova orientação para que haja registro dessas situações como greve.

Proposta da Fenaban prevê reajuste de 6% e melhora na PLR
A categoria bancária vem mobilizando-se pelo Brasil afora: atividades estão sendo realizadas e atos são promovidos em agências e unidades bancárias. Nesta semana, como resultado da pressão dos bancários, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou ao Comando Nacional dos Bancários uma nova proposta econômica, que reajuste de 6% sobre salários e demais verbas salariais, elevação do valor adicional da PLR e pagamento da 13º cesta-alimentação. A proposta dos banqueiros foi apresentada durante a negociação extraordinária com os bancários, ocorrida em São Paulo (SP) na última segunda-feira – dia 1º de outubro.
De acordo com a proposta dos banqueiros, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) será de 80% dos salários mais valor fixo de R$ 878,00 (teto de R$ 5.826,00). Caso o valor distribuído não alcance 5% do lucro líquido, os bancos devem majorar o benefício até chegar a dois salários ou ao teto de R$ 11.652,00. Como parcela adicional, a previsão é de 8% da variação do lucro líquido de 2006 para 2007, dividido pelo número de empregados (teto de R$ 1.800,00). Quando a variação do lucro líquido de 2007 para 2006 for maior que 15%, os bancos assumem o compromisso de pagar mínimo de R$ 1.200,00.
Ainda no caso da PLR, o pagamento de metade da regra básica e da parcela adicional deverá ocorrer até 10 dias após a assinatura da Convenção Coletiva Nacional. Na regra básica, a antecipação fica em 40% do salário mais R$ 439,00, limitados a 15% do lucro líquido do primeiro semestre deste ano. A parcela adicional será antecipada em 8% da variação do lucro líquido do primeiro semestre de 2006 para o mesmo período de 2007, com teto de R$ 900,00. Ficará em R$ 600,00 a parcela adicional mínima, a ser paga no caso em que a variação do lucro líquido for maior que 15%. A previsão é de que a outra metade seja paga até a data de 2 de março de 2008, tão logo haja o fechamento dos balanços de 2007.
Para os bancos em que o lucro registrou aumento em mais de 15%, o crescimento no valor da PLR será de 20% em relação ao ano passado, com pagamento mínimo de R$ 1.200,00 e máximo de R$ 1.800,00.
Desconto dos dias parados e cesta-alimentação
Na proposta da Fenaban, os dias parados de greve até 1º de outubro não deverão ser descontados nem compensados. Com relação ao pagamento da 13ª cesta-alimentação, os banqueiros propõem que esse benefício seja incorporado à Convenção Nacional Coletiva de Trabalho da categoria bancária. O valor ficaria em R$ 252,36.
Comando avalia proposta
O Comando Nacional dos Bancários decide indicar a aprovação da proposta geral feita pela Fenaban. A avaliação é a de que esse documento incorpora alguns dos principais pontos aprovados pela 9ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, evento realizado no fim de julho, em São Paulo, a exemplo de aumento real, PLR mais ampla e conquista de um novo direito no acordo coletivo deste ano.
Greve na Caixa deve ser deflagrada
Como até agora não houve avanço em itens específicos negociados com a direção da Caixa Econômica Federal, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) orientam sindicatos de todo o país a darem continuidade à campanha salarial para as questões complementares. A mobilização deve ser ampliada em todo o país nas agências e unidades da Caixa Econômica Federal, com convocação de greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira, dia 3 de outubro.