Boletim Especial Fenae
9 de Setembro de 2010

Banqueiros apresentam proposta rebaixada. Comando Nacional dos Bancários orienta por greve a partir de 24 de setembro

Por não contemplar as principais reivindicações da campanha salarial de 2009, o Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta global apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), durante mesa de negociação realizada ontem em São Paulo (SP). Essa proposta foi considerada rebaixada. Se a posição mantiver-se inalterada, o Comando Nacional orienta pela deflagração de uma greve nacional por tempo indeterminado em todas as instituições financeiras públicas e privadas, a partir do dia 24 de setembro.

A Fenaban propôs 4,5% de reajuste salarial, uma PLR inferior à do ano passado, nenhuma valorização dos pisos e das verbas salariais e nada de garantia aos empregos. Os banqueiros se negam também a reajustar os valores do auxílio-educação e propõem reduzir o auxílio-creche/babá de 83 para 71 meses.

Em relação à PLR, os bancos querem pagar 1,5 salário limitado ao valor individual de R$ 10 mil ou a 4% do lucro líquido de 2009, o que ocorrer primeiro. O valor adicional chega a 1,5% do lucro líquido, distribuído linearmente e com teto de R$ 1.500. A condição imposta é de não-pagamento em caso de alguma instituição financeira obter prejuízo neste ano. Além do mais, o valor poderá ser compensado dos planos próprios de participação nos lucros ou resultados.

A proposta da Fenaban prevê ainda a ampliação da licença-maternidade de 180 dias e a isonomia de tratamento para homoafetivos, com a possibilidade de inclusão de parceiros do mesmo sexo nos planos de saúde. Os bancos se comprometem a agendar reuniões das comissões bipartites de saúde e de segurança. Os banqueiros acenaram com o programa de reabilitação profissional e com uma política de prevenção dos conflitos no ambiente de trabalho, mas a redação apresentada para essas cláusulas não atende as reivindicações dos bancários.

Outra proposta inaceitável foi a alteração da cláusula relativa à estabilidade pré-aposentadoria. A Fenaban, no entanto, concorda com a inclusão de uma cláusula na Convenção Coletiva sobre o programa de valorização da diversidade.

Depois da reunião com os banqueiros, o Comando Nacional dos Bancários se reuniu e aprovou o envio de documento para a Fenaban. Nele, os representantes dos bancários comunicam a rejeição da proposta rebaixada e solicitam a apresentação de uma nova proposta até quarta-feira da próxima semana, dia 23 de setembro, para ser avaliada pelas assembleias em todo o país. Se até lá a proposta rebaixada for mantida, uma greve nacional e por tempo indeterminado será deflagrada a partir de 24 de setembro.

O presidente da Contraf/CUT e coordenador do Comando Nacional, Carlos Cordeiro, considera inaceitável que os bancos, o setor que mais lucrou no país neste primeiro semestre, ofereçam apenas a reposição da inflação e uma PLR que é menor do que a conquistada no ano passado. Segundo ele, os banqueiros agem assim em um momento em que vários setores da economia, a exemplo da metalurgia, estão fechando acordos coletivos com aumento real de salário.

Na negociação de ontem, os bancários deixaram claro para os banqueiros que o acordo de 2009 passa por garantia de emprego, valorização dos pisos salariais e implantação de políticas que melhorem as condições de trabalho e de saúde, o que inclui o combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas.

DF: assembleia para aprovar indicativo de greve
O Sindicato dos Bancários de Brasília realiza nesta sexta-feira, dia 18 de setembro, às 19 horas, uma assembleia para aprovar indicativo de greve, em protesto à proposta rebaixada apresentada pelos banqueiros. Na semana seguinte, haverá nova assembleia, dessa vez para deflagrar a paralisação geral e por tempo indeterminado nos bancos.


Empregados da Caixa estão prontos para a luta. Rodada de negociações específicas acontece no dia 22 de setembro

Os empregados da Caixa se preparam para uma forte mobilização em torno da campanha salarial deste ano, com o objetivo de pressionar a direção da empresa a atender as reivindicações constantes em pauta específica e na minuta mínima unificada negociada com a Fenaban. Com base nesse espírito de luta, o Comando Nacional dos Bancários, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a Caixa Econômica Federal protagonizam mais uma rodada específica no próximo dia 22 de setembro, em Brasília (DF). Os temas da pauta são Plano de Cargos Comissionados (PCC), Plano de Cargos e Salários (PCS) e jornada de trabalho.

A orientação da Contraf/CUT – CEE/Caixa é para o envolvimento direto dos empregados nas atividades da campanha salarial. Até agora, a empresa não apresentou qualquer proposta concreta para reivindicações como saúde e condições de trabalho, contratação de mais trabalhadores, isonomia de direitos entre novos e antigos bancários, recomposição do poder de compra dos benefícios dos aposentados, Funcef, segurança bancária e democratização da gestão.

Se na negociação da próxima semana não houver novidades, os empregados da Caixa estão dispostos a paralisar suas atividades em todo o país e por tempo indeterminado.


Edição: 18/2009