Bancários vão exigir proposta decente dos banqueiros em negociação nesta quinta-feira
Mais uma rodada de negociação da campanha salarial deste ano reunirá nesta quinta-feira, dia 17 de setembro, às 15 horas, em São Paulo (SP), o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Dessa vez, a categoria bancária espera que os banqueiros apresentem propostas concretas que contemplem reivindicações como reajuste salarial de 10%, PLR de três salários mais R$ 3.850, valorização dos pisos e das verbas salariais, garantia no emprego e mais contratações, fim do assédio moral e das metas abusivas, mais segurança e Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) para todos os bancários.
Os bancos ficaram de apresentar uma proposta global. Os bancários, por outro lado, já deixaram claro que, nesta campanha salarial, querem ir além das questões meramente econômicas. O recado foi dado em 10 de setembro, quando a categoria promoveu manifestações e paralisações de advertência em todo o país. Se os banqueiros não começarem a levar a sério as negociações, apresentando propostas que atendam às expectativas da campanha salarial 2009, os trabalhadores estão dispostos a deflagrar novamente greve por tempo indeterminado.
Para combater o comportamento de enrolação da Fenaban, algumas bases sindicais já definiram datas de realização de assembléias, para votar o indicativo de greve. Só com união e participação direta, os bancários vão arrancar da mesa de negociações o que é reivindicado.
Reunião secreta com PM para reprimir direito de greve
Na semana passada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) se reuniu secretamente com a PM de São Paulo, para montar um esquema de repressão a uma eventual greve dos bancários. Esse encontro seria proveitoso, na verdade, se fosse para estruturar um esquema de segurança para proteger clientes e bancários, frequentemente expostos a assaltos e sequestros.
Com esse comportamento absurdo, os banqueiros estão rasgando a Constituição brasileira, que prevê o legítimo direito de greve dos trabalhadores. O Sindicato dos Bancários de São Paulo encaminhou correspondência à Secretaria de Segurança Pública solicitando esclarecimentos sobre o papel da PM nessa história.
O fato mostra que a força dos bancários está na mobilização. A categoria precisa continuar na luta, denunciando a toda a sociedade essa atitude criminosa dos banqueiros.

Negociação específica na Caixa está prevista para o dia 22 de setembro
Na Caixa, a próxima negociação específica da campanha salarial deste ano será realizada no dia 22 de setembro, terça-feira da próxima semana, em Brasília (DF). Os assuntos da pauta são o Plano de Cargos Comissionados (PCC), o Plano de Cargos e Salários (PCS) e a jornada de trabalho.
Na rodada anterior, em 11 de novembro, a empresa frustrou os trabalhadores ao silenciar diante de reivindicações como isonomia entre novos e antigos trabalhadores, recomposição do poder de compra dos benefícios dos aposentados e questões referentes à Funcef, principalmente o fim do voto de minerva nas instâncias da fundação e a mudança do método de custeio do REG/Replan não-saldado, além da democratização da gestão.
Na ocasião, a Caixa prometeu responder às reivindicações específicas somente após o dia 22 de setembro, depois dos resultados da negociação com a Fenaban.

Projeto de isonomia nos bancos públicos federais aguarda votação em comissões da Câmara dos Deputados
Na última segunda-feira, dia 14 de setembro, o deputado federal Eudes Xavier (PT/CE) apresentou parecer favorável ao projeto de lei nº 6.259/2005, que institui a isonomia de direitos entre os novos e antigos trabalhadores dos bancos públicos federais: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB), Banco da Amazônia (Basa) e Casa da Moeda. A autoria desse projeto é do hoje senador e ex-deputado Inácio Arruda (PCdoB/CE) e do deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA).
Agora, o projeto da isonomia aguarda votação na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Em seguida será encaminhado paras as Comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e, caso seja aprovado, entrará em vigor sem necessidade de votação em plenário. Depois, caberá ao Senado apreciá-lo, antes de ir à sanção presidencial.
Considerado um passo importante em defesa dessa luta, o parecer de Eudes Xavier seguiu a linha da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e anula resoluções impostas de forma arbitrária pelo governo neoliberal Fernando Henrique Cardoso. Ocorre que, a partir de 30 de maio de 1995, os trabalhadores que ingressaram na Caixa, BB, BNB, Basa e Casa da Moeda perderam uma série de direitos em relação aos antigos bancários, devido às resoluções nº 9 (maio de 1995) e nº 10 (outubro de 1996) do Conselho de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (CCE).
A luta pela isonomia de direitos e benefícios entre os bancários das instituições financeiras públicas faz parte da minuta específica da campanha salarial deste ano aprovada pelos empregados na Caixa no 25º Conecef, realizado em Brasília (DF) no período de 23 a 25 de abril. Nesse particular, a reivindicação é por isonomia de direitos entre os novos e antigos empregados, com extensão a todos de benefícios como licença-prêmio, anuênios, Adicional por Tempo de Serviço (ATS) e Vantagens Pessoais (VPs), além da normatização das Apips.
Ao longo dos últimos anos, o movimento nacional dos empregados e a Contraf/CUT têm desenvolvido campanhas por isonomia nos bancos públicos federal, com o objetivo de intensificar a pressão ao Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei 6.295. Entre as atividades já realizadas, os destaques são a realização de um Dia Nacional de Luta, a visita a câmaras municipais e assembleias legislativas nos estados. A luta pela isonomia tem sido ampliada em todo o Brasil, de modo a atingir todos os bancos públicos e toda a sociedade. Nessa luta, inclusive, também estão incluídos os menores aprendizes que prestam serviços ao sistema financeiro nacional.
Em busca de apoio, as entidades sindicais e associativas vêm dialogando com parlamentares e lideranças políticas de cada região. Audiências com os presidentes de cada banco federal também foram agendadas e realizadas, para a entrega de documento com as propostas para corrigir as distorções.
Discriminação inaceitável
As distorções salariais e de benefícios entre funcionários novos e antigos dos bancos públicos federais tiveram início entre os anos de 1996 e 1997. A medida resulta dos “entulhos autoritários” baixados por FHC.
Desde então, os administradores das empresas públicas foram orientados a limitar os gastos com custeio do pessoal. Foi com base nessa recomendação que, a partir dos novos concursos públicos, diversas conquistas históricas dos trabalhadores passaram a ser ignoradas.
Pior para os trabalhadores admitidos nos bancos públicos federais após 1997. Ingressaram em condições desfavoráveis em comparação com os empregados mais antigos e foram enquadrados em tabelas salariais achatadas, com perda de direitos como licença-prêmio, anuênio, ATS, VPs e normatização das Apips.