Boletim Especial Fenae
5 de Setembro de 2010

Negociações específicas entre Comando Nacional dos Bancários e Caixa serão realizadas nesta sexta-feira

Na rodada de negociação específica que será realizada nesta sexta-feira, dia 11 de setembro, às 10h, em Brasília (DF), o Comando Nacional dos Bancários, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a Caixa Econômica Federal debatem os itens relacionados à Funcef/aposentados, isonomia entre novos e antigos empregados, democratização da gestão e outros temas.

O tema da Funcef/aposentados é um dos mais importantes para os empregados na campanha salarial deste ano. Uma das principais reivindicações é a mudança no método de custeio do REG/Replan não-saldado, conforme proposta apresentada pelos conselheiros eleitos na Funcef. Os empregados também defendem o fim do voto de minerva nas instâncias da Funcef, a solução imediata da situação das mulheres pré-79 e a abertura para a migração dos participantes da Prevhab para a Funcef, com garantia de prioridade dos 40 participantes que foram vetados e solução para o Plano Espelho, além do auxílio e da cesta-alimentação a todos os aposentados e pensionistas.

A questão da isonomia de direitos entre novos e antigos trabalhadores também assume papel de destaque na campanha salarial deste ano. Nesse particular, a reivindicação é para que sejam estendidas a todos os bancários a licença-prêmio, os anuênios, o Adicional por Tempo de Serviço (ATS) e as Vantagens Pessoais (VPs), além da normatização das Apips.

Aprovada pelo 25º Conecef, realizado de 23 a 25 de abril, em Brasília, a eleição de um diretor representante é uma reivindicação antiga do movimento nacional dos empregados, estando baseada no entendimento de que os trabalhadores devem não só gerir o patrimônio da Caixa, mas também acompanhar e fiscalizar os atos da administração da empresa. Para efetivar a democratização da gestão, consta na pauta específica da campanha salarial 2009 a instituição do Vice-Presidente Representante (Virep) com mandato fixo e eleito pelo voto direto dos empregados, com direito a voz e voto nas reuniões do Conselho Diretor da Caixa, garantida a participação de representantes dos empregados na comissão eleitoral.

Outros temas que estarão em debate dizem respeito às seguintes reivindicações: contratação imediata dos aprovados no último concurso, conforme vagas já autorizadas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; exigência de qualificação mínima para os gestores no que se refere à gestão de pessoas, com a realização de, no mínimo, 70% dos cursos relativos ao tema e disponibilizados na Universidade Corporativa Caixa (UCC); garantia de qualificação do empregado para atuar nos programas sociais da Caixa, tais como o “Minha Casa, Minha Vida”; fim da discriminação e inclusão tempestiva dos portadores de qualquer tipo de deficiência nos Processos Seletivos Internos (PSIs); divulgação de informações relativas à inclusão de pessoas com deficiências e dos empregados com idade acima de 40 anos, no relatório social da Caixa; e inclusão tempestiva no Programa Diversidade Caixa de campanhas para conscientização dos empregados acerca dos estereótipos e mecanismos que contribuem para a discriminação.

Na rodada anterior, ocorrida em 4 de setembro, também na Capital da República, a Caixa não apresentou qualquer proposta para as reivindicações sobe Saúde Caixa, segurança bancária e saúde e condições de trabalho. Na ocasião, o único avanço registrado foi o anúncio da empresa de que recebeu autorização do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest) para a contratação de mais 2.200 novos empregados.

Calendário de negociação

Na Caixa, o calendário de negociação específica prevê ainda a realização de uma nova rodada no dia 22 de setembro. Na ocasião, serão debatidas as cláusulas relativas ao Plano de Cargos Comissionados (PCC), Plano de Cargos e Salários (PCS) e jornada de trabalho.


Fenaban repete enrolação e não apresenta proposta ao Comando Nacional dos Bancários

A quarta rodada de negociações da campanha salarial 2009 entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi realizada em 9 de setembro, em São Paulo (SP), sem o registro de qualquer novidade. Mais uma vez, depois de seis horas de reunião, os banqueiros se negaram a apresentar propostas para as reivindicações relativas à saúde e condições de trabalho, segurança bancária e igualdade de oportunidades. Foi, na verdade, um repeteco dos nãos dados nas três rodadas anteriores, que debateram as demandas sobre emprego e remuneração.

Na questão da saúde, os bancários cobraram o fim das metas abusivas, mas houve negativas por parte dos banqueiros. Eles se limitaram a discutir as distorções na forma de cobrança, mas se negaram a fazer proposta para mudar uma realidade que gera doenças ocupacionais. Também foi cobrado o combate ao assédio moral e à violência organizacional, mas a resposta da Fenaban foi de defesa aos assediadores, ao exigir o sigilo de seus nomes para uma “política de prevenção dos conflitos no ambiente de trabalho”.

Os bancários reivindicaram ainda a implantação de um programa de reabilitação profissional, que garanta aos afastados, quando do retorno ao trabalho, condições que respeitem suas limitações funcionais, provocadas pelo adoecimento em razão das péssimas condições de trabalho. Resposta da Fenaban: concorda com o programa, desde que inclua ainda os trabalhadores que se encontram afastados, o que forçaria o seu retorno precoce, uma situação inadmissível. Foram reivindicados ainda a isonomia aos afastados por motivos de saúde e a licença-maternidade de 180 dias.

Em relação à segurança bancária, uma das prioridades defendidas pelo Comando Nacional é a retomada das reuniões da Comissão de Segurança Bancária. A Fenaban informou que os trabalhos dessa comissão poderão ser retomados na segunda quinzena de novembro, com a participação de representantes das áreas de segurança dos bancos. Foi reivindicada a proibição aos bancários do transporte de valores, malotes e chaves do cofre e da agência, para evitar assaltos e seqüestros como os que têm ocorridos em várias regiões do país, mas não houve acordo quanto a isso. Os banqueiros se recusaram ainda a pagar adicional de 40% do salário, para quem trabalha em agências e postos.

O item da igualdade de oportunidades também foi debatido. O Comando Nacional defendeu a inclusão de uma cláusula na Convenção Coletiva que garanta medidas de democratização do acesso e de políticas para eliminar todos os tipos de preconceito e discriminação nos locais de trabalho. No entanto, a Fenaban alegou não ter governança sobre o programa de valorização da diversidade dos bancos, mas ficou de estudar uma forma de estabelecer algumas diretrizes. Os banqueiros se negaram a garantir uma cláusula de inclusão e capacitação para pessoas com deficiência e também não concordam com a igualdade de direitos para os casais homoafetivos. A Fenaban se negou a implantar planos de previdência complementar para toda a categoria bancária, argumentando que cada banco possui esse produto à venda.

Mais negociações

Nova reunião foi agendada para o próximo dia 17 de setembro. Os banqueiros disseram que, nessa ocasião, pretendem apresentar uma proposta global de acordo coletivo para a categoria bancária.


Bancários fazem paralisações parciais em todo o país e exigem dos banqueiros apresentação de proposta decente

As paralisações parciais que aconteceram ontem em todo o país, com retardamento até o meio-dia na abertura de agências e unidades bancárias, foi uma resposta da categoria para a intransigência dos banqueiros, com um recado direto: ou a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) leva a sério a negociação da campanha salarial deste ano, ou os bancários estão dispostos a deflagrar uma greve nacional por tempo indeterminado. As atividades seguiram orientação do Comando Nacional dos Bancários.



A mobilização atingiu os maiores conglomerados financeiros do país. O centro velho de São Paulo (SP), por exemplo, ficou praticamente todo parado. Levantamento preliminar feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) revela que, além de São Paulo, paralisações ocorreram também em Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Londrina (PR), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santa Cruz (RS), São José dos Pinhais (PR), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Cabe aos bancários de todo o país ampliar a mobilização e a pressão, para que os banqueiros apresentem uma proposta que contemple as reivindicações da campanha salarial 2009, na rodada de negociação agendada para o dia 17 de setembro, na capital paulista.


Edição: 13/2009