Bancários e banqueiros negociam aumento real, PLR mais justa e valorização dos pisos salariais
Acontece nesta quarta-feira, dia 2 de setembro, às 15h, em São Paulo (SP), a terceira rodada de negociações da campanha salarial de 2009, reunindo o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Na pauta, os destaques são os itens da remuneração constantes na minuta mínima unificada, que inclui índice de reajuste e aumento real, novo modelo de PLR, valorização dos pisos salariais, contratação da renda variável, elevação das verbas de alimentação e Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) em todos os bancos, além das demais cláusulas econômicas.
Reajuste: índice e aumento real
Na questão do índice, os bancários reivindicam reajuste de 10% e aumento real, conforme aprovado pela 11ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro, avalia que os bancos não têm qualquer justificativa para não conceder os reajustes reivindicados pela campanha salarial da categoria bancária. Isto porque, segundo ele, os 21 maiores bancos do país somaram lucro líquido de R$ 14,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, “a maior rentabilidade registrada no período pela economia brasileira”.
PLR mais justa
O item de uma PLR mais justa é outra prioridade. Os bancários reivindicam um novo modelo de distribuição dos lucros e resultados. A PLR reivindicada é de três salários mais R$ 3.850,00 fixos para todos os trabalhadores. Desde abril deste ano, bancários e banqueiros vêm debatendo uma nova proposta, com o objetivo de firmar um acordo sobre uma fórmula mais simples, transparente e justa.
Valorização dos pisos salariais
Na questão dos pisos salariais, o objetivo é romper com a lógica de valorização apenas para o ingresso na categoria, como ocorre hoje. Para os pisos, os bancários reivindicam os seguintes valores: portaria (R$ 1.432,90), escriturário (R$ 2.047,00), caixa (R$ 2.763,45), primeiro comissionado (R$ 3.447,80) e primeiro gerente (R$ 4.605,73).
PCCS para todos os bancários
Entre as prioridades está ainda a criação de um PCCS em todos os bancos, que preveja 1% de reajuste a cada ano trabalhado. Esse reajuste passará a 2% a cada cinco anos. Outra reivindicação: o banco fica obrigado a promover o trabalhador pelo menos uma vez a cada cinco anos. A categoria exige ainda a realização de um processo de seleção interna para preencher novas vagas. Para cada cargo e função, o banco deverá apresentar a grade curricular necessária e oferecer curso aos trabalhadores no decorrer do expediente. Se houver descomissionamento, as instituições financeiras ficam obrigadas a incorporar integralmente a comissão ao salário.
Verbas de alimentação: maior elevação
O valor de um salário mínimo (R$ 465,00) é reivindicado para a elevação da cesta-alimentação. Os bancários também querem reajuste do vale-refeição para R$ 19,25, assim como reajuste da 13ª cesta-alimentação para R$ 465,00.
Remuneração total do bancário
Na rodada de hoje com a Fenaban, o Comando Nacional dos Bancários vai reivindicar a imediata contratação da remuneração total do trabalhador, incluindo a parcela variável. Essa estratégia é vital para a categoria se contrapor às mudanças que ocorreram na profissão bancária nos últimos anos. Hoje, em sua maioria, os programas próprios de remuneração variável de cada banco são vinculados a metas, representando parte considerável da renda dos bancários. É preciso, portanto, acabar com a cultura da remuneração variável ser definida exclusivamente pelos banqueiros, haja vista que esses programas estabelecem metas abusivas de perfomance para os trabalhadores, que estão entre as maiores causas de estresse e doenças de trabalho.
Nova negociação
A próxima rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban acontece no dia 9 de setembro, em São Paulo. Dessa vez, o foco serão os temas da saúde, segurança bancária, condições de trabalho e cláusulas sociais.

Comando Nacional dos Bancários e Caixa fazem nova negociação específica nesta sexta-feira
Será na sexta-feira, dia 4 de setembro, às 10h, em Brasília (DF), mais uma rodada de negociações específicas da campanha salarial de 2009 na Caixa Econômica Federal. Os empregados serão representados pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).
Também está confirmada para o dia 11 de setembro, na Capital da República, outra rodada para dar continuidade ao debate sobre as questões da pauta específica de reivindicações dos empregados, entregue para a Caixa em 17 de agosto.
Entre as prioridades da pauta específica estão a luta por melhores condições de trabalho e por mudanças no Plano de Cargos Comissionados (PCC), para solução de vários problemas relacionados a cargos e funções. Igualmente relevantes são as questões relativas à isonomia de direitos entre novos e antigos empregados, ampliação dos direitos dos aposentados, contratação urgente de novos empregados, respeito à jornada de seis horas e democratização da gestão.
Todas essas reivindicações foram aprovadas pelo 25º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), realizado de 23 a 25 de abril, em Brasília.