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11:21h 08.09.10 - Fenae Net
Dia Nacional de Luta em defesa do emprego é nesta quarta-feira
Em todo o país, sindicatos promovem atividades de mobilização e protesto em unidades bancárias. Carta aberta conclama categoria a participar dessas mobilizações

Nesta quarta-feira, dia 8 de setembro, horas antes de mais uma rodada de negociações da campanha salarial 2010, os bancários de todo o país realizam o Dia Nacional de Luta em defesa do emprego. Para isso, em todo o país, os sindicatos promovem atividades de mobilização e protesto em unidades bancárias.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro, considera ser este o momento para aumentar a mobilização da campanha salarial deste ano, convocando todos os bancários para participar das atividades e reivindicar emprego digno. Segundo ele, “a questão do emprego é uma das mais importantes, pois afeta diretamente outros temas, como saúde e remuneração, além da melhoria do atendimento aos clientes. Garantia de emprego e mais bancários estão vinculados à redução das filas e melhoria das condições de trabalho”.

No quesito emprego, as principais reivindicações dos bancários são proteção contra dispensas imotivadas, mais contratações, melhores condições de trabalho, igualdade na remuneração, qualificação e requalificação profissional, reversão das terceirizações e fim dos correspondentes bancários, mediante substituição por agências e postos de atendimento.

Para marcar essa mobilização com luta, a Contraf/CUT disponibilizou carta aberta para os sindicatos e federações de bancários do país. Um dos objetivos é conclamar o conjunto da categoria bancária a participar das mobilizações, para pressionar os bancos e para conquistar uma negociação vitoriosa. Confira, abaixo, a íntegra dessa carta aberta:

Garantia de emprego e mais contratações
“Os bancários realizam nesta quarta-feira, 8 de setembro, um dia nacional de luta pelo emprego. A proteção contra as demissões imotivadas e a geração de novos postos de trabalho são importantes reivindicações dos trabalhadores para a redução das filas, a qualidade de atendimento aos clientes e a melhoria das condições de trabalho.

“Os bancos continuam lucrando muito e batendo recordes. No primeiro semestre deste ano, lucraram R$ 24,7 bilhões, mas somente criaram 9.048 novos postos de trabalho, conforme Pesquisa do Emprego Bancário, feita pela Contraf/CUT e Dieese, com base nos dados do Caged do Ministério do Trabalho e do Emprego.

“A geração de empregos vem sendo travada pela rotatividade que os bancos praticam para reduzir os custos e turbinar os lucros. Em um ano e meio, os bancos desligaram 48.295 empregados, o que representa mais de 10% da categoria. Muitos trabalhadores foram dispensados porque não cumpriram as metas abusivas para a venda de produtos. Outros pediram demissão porque não suportaram o assédio moral e as precárias condições de trabalho, que tem trazido estresse e adoecimento.

“Esse aumento da rotatividade reduziu a massa salarial da categoria, aumentando ainda mais os lucros dos bancos. A remuneração média dos admitidos nos primeiros seis meses de 2010 foi 38,4% inferior à dos desligados. E as mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens nos bancos.

“Esse descaso com o emprego é um desrespeito para com os trabalhadores e suas famílias e revela falta de contrapartida social dos bancos, no momento em que a economia brasileira está crescendo e o PIB do primeiro semestre bateu recorde de 8,9%, segundo o IBGE. Em outros países, bancos que aqui desempregam agem de forma diferente, valorizando o emprego.

“Na campanha salarial 2010 da categoria bancária, a luta é para mudar essa realidade. É necessário acabar com essa rotatividade e ampliar a geração de empregos. Os bancários querem proteção contra demissões imotivadas, conforme estabelece a Convenção 158 da OIT, mais contratações, melhores condições de trabalho, igualdade na remuneração, reversão das áreas terceirizadas e fim dos correspondentes bancários, mediante substituição por agências e postos de atendimento, dentre outros itens.

“O emprego será tema da terceira rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que ocorre nesta quarta e quinta-feira, 8 e 9 de setembro, em São Paulo. A mobilização é fundamental para pressionar os bancos, visando o atendimento das reivindicações da categoria. A melhoria do emprego precisa ser assumida pelos bancos fator de responsabilidade social. Outro banco é possível, com as pessoas em primeiro lugar”.