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Contraf/CUT questiona novo modelo de correspondentes bancários da Caixa

Nesta terça-feira, dia 31 de agosto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) encaminha correspondência para a presidenta da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, na qual solicita esclarecimentos sobre o novo modelo de correspondentes bancários criado pela empresa. Há a suspeita de que a novidade torne-se um instrumento de precarização das condições de trabalho e salário e de fuga da regulamentação do Banco Central, tendo em vista que postos foram criados exclusivamente para a prestação de serviços bancários.

Na nota, a Contraf/CUT se reporta a reportagem recente do jornal “Valor Econômico”, segundo a qual três novas unidades de correspondentes bancários serão inauguradas em São Bernardo do Campo (SP) pela empresa Transmarketing Transações, “com atuação nos mais diversos setores: da área de comunicação ao mercado de rastreamento de veículos”. A reportagem aponta fortes indícios de que os novos postos terão como finalidade exclusiva a atividade bancária, ao contrário do que ocorre nos correspondentes hoje existentes, como casas lotéricas, padarias e outros estabelecimentos comerciais, que se cadastram para oferecer alguns serviços bancários.
A Contraf/CUT classifica como uma incógnita o novo modelo. E questiona: “Se os postos vão movimentar dinheiro o bastante para dar lucro mesmo com o que for investido, não se justificaria a instalação de agências?”. Para a entidade, o modelo a ser adotado foge do objetivo traçado para os correspondentes bancários na regulamentação do Banco Central, que já é alvo de críticas do movimento sindical bancário. Diz a nota da Contraf/CUT: “Para um pequeno comércio que se torna correspondente, a parceria com a Caixa não exige dele grande investimento, transformando-se em um bom negócio. A partir do momento em que o correspondente se torna um estabelecimento exclusivamente bancário, o investimento só se justifica se trouxer retorno financeiro, o que não acontece em localidades realmente sem recursos ou muito afastadas”.

A Contraf/CUT suspeita ainda que esses novos correspondentes representem uma forma de precarização das condições de trabalho de seus empregados. E questiona também se a Transmarketing Transações seguirá a Convenção Coletiva Nacional dos bancários, com jornada de seis horas, piso unificado, PLR e outros direitos, acrescentando: “Mesmo loterias e agências dos Correios já foram autuadas pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, determinando que os trabalhadores que realizam serviços bancários cumpram a jornada de trabalho de seis horas, prevista na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. O mesmo deverá ocorrer com as novas unidades”.

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