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11:47h 21.07.10 - Fenae Net
Contraf/CUT cobra da Fenaban medidas para prevenir assaltos e pagamento de adicional de risco
Para evitar assaltos e sequestros, bancários sugerem instalação de porta de segurança com detector de metal em todos os acessos destinados ao público

Na quarta reunião da mesa temática de segurança bancária, realizada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira, dia 20 de julho, em São Paulo (SP), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) voltou a cobrar a adoção de medidas de prevenção contra assaltos e sequestros, indenizações para as vítimas e pagamento do adicional de risco de vida para quem trabalha em agências, postos e áreas perigosas. Também houve a solicitação de acesso às estatísticas e emissão do Boletim de Ocorrência na polícia.

Para evitar assaltos e sequestros, os bancários sugeriram aos banqueiros, entre outras medidas, a instalação de porta de segurança com detector de metais em todos os acessos destinados ao público. Foi dito que o equipamento, depois de instalado em muitas agências a partir de leis municipais, tem reduzido significativamente a incidência de assaltos.

Números divulgados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em audiência na Câmara dos Deputados, revelam que os roubos caíram de 1.901 para 430 no período de 2000 a 2009, após a chamada porta giratória ter sido colocada em todas as agências e postos. Há resistência da Fenaban em atender a essa reivindicação, já que, segundo a entidade, “não há consenso entre os bancos”.

Na reunião sobre segurança bancária, a Contraf/CUT reivindicou também câmeras de filmagem com monitoramento em tempo real, vidros blindados nas fachadas, abertura e fechamento das unidades através de empresas especializadas em segurança e fim da guarda da chave do cofre e das unidades pelos bancários para evitar sequestros. Resposta da Fenaban: as medidas dependem de cada banco.

Foi reiterada ainda a necessidade de proibição do transporte de numerário pelos bancários, o que ainda vem sendo praticado em diversos cantos do país. Os banqueiros disseram que esse transporte deve ser realizado pelos carros-fortes e propuseram a busca de soluções nas regiões onde ainda não há o serviço. Diante disso, a Contraf/CUT lembrou à Fenaban que o assunto já está regrado pela Polícia Federal e que os bancos devem acabar com a utilização de bancários, como tem sido denunciado pelos sindicatos e comprovado em vários processos na Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP).

A Contraf/CUT propôs ainda a instalação de divisórias individualizadas na bateria de caixas, bem como entre os caixas eletrônicos, como forma de buscar privacidade nas transações e ajudar a prevenir o golpe da "saidinha de banco". Os bancos alegaram que esse crime "é problema de segurança pública". Os bancários discordaram, apontando que ele começa dentro das agências, através da observação dos clientes que efetuam saques elevados, e por isso os bancos têm que assumir a sua responsabilidade.

Os bancos se manifestaram contrários ao conceito dos bancários de agregar novos equipamentos para melhorar as condições de segurança. Eles propuseram fazer um debate sob a ótica da segurança eletrônica, evitando a duplicidade de funções. A Contraf/CUT topou discutir novas tecnologias, mas com a manutenção do emprego dos trabalhadores em segurança.

No quesito sobre as indenizações para vítimas, a Contraf/CUT defendeu a ampliação das indenizações para as vítimas, hoje limitadas aos casos de morte ou incapacidade permanente decorrente de assalto. Nesse particular, a proposta dos bancários prevê o pagamento de indenização para os trabalhadores que sofreram assaltos, sequestros e extorsões, bem como complementação da pensão vitalícia paga pelo INSS, em caso de invalidez ou morte, no valor correspondente ao salário integral da vítima à época do assalto ou sequestro. A Fenaban, no entanto, negou o atendimento dessas demandas.

Outro item da pauta foi o adicional de risco de vida. Foi cobrado dos banqueiros o pagamento de adicional de periculosidade e risco de vida para todos os empregados que trabalham em agências, postos e áreas perigosas, reivindicação considerada “um absurdo” pela Fenaban. Diante dessa recusa por parte dos bancos, a Contraf/CUT lembrou que os vigilantes conquistaram adicional de risco de 30% em vários acordos coletivos pelo Brasil afora e os bancários atuam no mesmo ambiente de trabalho. Os banqueiros reconheceram o direito dos vigilantes, mas considerou "um exagero" o pagamento aos bancários expostos ao mesmo risco.

A representação dos trabalhadores reafirmou a solicitação de acesso à estatística nacional de assaltos a bancos da Fenaban, como forma de transparência e acompanhamento das ocorrências. Em resposta, a entidade patronal disse que "existe possibilidade, mas ainda falta definir o período e a forma de acesso". A solicitação é para que a estatística seja apresentada a cada três meses, a exemplo de várias secretarias estaduais de segurança, com informações sobre os números em âmbito nacional e por estado.

Foi, por fim, reiterada a importância de cada banco fazer o Boletim de Ocorrência na polícia para registrar todos os casos de assaltos, tentativas e sequestros, visto que isso nem sempre ocorre. A Fenaban informou que já orientou os bancos para efetuar esse procedimento e se colocou à disposição para receber denúncias das entidades sindicais.

Em relação especificamente a esse ponto, a Contraf/CUT defende a inclusão de uma cláusula na Convenção Coletiva Nacional da categoria bancária, como forma de reforçar a recomendação da Fenaban e facilitar a fiscalização dos sindicatos.

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