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Roberto de Aquino

Não por acaso, o livro “Os Rolling Stones no Brasil” marca a estréia do bancário cearense Roberto Jamacaru de Aquino no mundo da literatura. As 22 crônicas da obra, publicada por selo independente em abril do ano passado, abordam fatos da vida do brasileiro comum. Os personagens retratados pelo autor, que trabalha na Caixa desde 1972, são menores abandonados, guardadores de automóveis e todos aqueles que usam a rua como palco e sobrevivem de sua arte. Conclusão: “Os Rolling Stones no Brasil” é sinônimo de denúncia social. Qualquer semelhança com a banda de rock inglesa, símbolo de rebeldia na década de 70, não é mera coincidência.
Apesar de ter lido menos do que gostaria na infância e na adolescência, o interesse de Jamacaru pelas letras foi despertado pelos gibis coloridos de Walter Disney. Os maiores incentivos, no entanto, vieram dos puxões de orelha de sua mãe. Hoje, além de fã de Arnaldo Jabor, os documentários regionais - com histórias sobre Lampião e padre Cícero - têm a capacidade de encantar o dia-a-dia do bancário-escritor nascido em Crato, cidade por ele definida como oásis ao sul do Ceará. Ele é casado com Maria Alba Martins de Aquino, com quem teve um casal de filhos: Roberto Jamacaru de Aquino Filho e Bárbara Martins de Aquino.


Ficção e realidade 


Paciência foi o principal ingrediente para a formação literária de Roberto Jamacaru de Aquino, adquirida em doses homeopáticas. Ele explica o motivo: “Nunca tive a iniciativa de me aperfeiçoar literariamente dentro dos moldes e padrões que a arte acadêmica exige. A minha base cultural vem da música. Meu pai era um seresteiro ao estilo Jacob do Bandolim. Todos os meus irmãos tocam algum instrumento, sendo que dois deles possuem CD lançados no mercado fonográfico. Como toco vio-lão apenas para consumo interno, escrever foi, por assim dizer, minha saída natural”. A partir de seu primeiro livro, sob o título “Os Rolling Stones no Brasil, Jamacaru espera publicar diversas outras obras, centrando o foco sempre na mistura da ficção com a realidade.
Jamacaru, embora reconheça sua sensibilidade por trás das letras, dedica à atividade bancária a maior parte de seu tempo. A família também recebe atenção especial. Ele gosta de trabalhar na Caixa. São mais de 30 anos dedicados à empresa, onde já desempenhou diversas funções: escriturário, caixa executivo, gerente e gerente de núcleo. Está lotado, atualmente, na agência de Crato (CE) e atua na área de apoio à gerência geral. Para ele a atividade na Caixa continua em primeiro plano. Apesar disso, Jamacaru não abre mão de aliar a obra literária advinda das experiências do seu cotidiano com os afazeres profissionais de bancário.