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Marcos Antônio Hofmann

Está há apenas dois anos na Caixa. É técnico bancário da agência de Prudentópolis (PR) e artista múltiplo em casa: escreve crônicas, poesias e contos, alguns publicados pela Editora Vozes. Atualmente está concluindo o seu primeiro romance. Entre uma frase e outra, descansa pintando quadros ou compondo músicas. Também canta e pretende gravar em breve um CD. Só espera patrocínio. Marcos Hoffman está com 38 anos, é casado e tem dois filhos.

Contato:
Rua Osório Guimarães, 409 - Caixa postal 88 - Prudentópolis - PR - Cep: 84.400.000
Telefone: (42) 446-1272 

 

 

Alguns dos seus trabalhos

Caminhos e Espinhos

Uma vida sem amor tempera os nervos
em aço e o viajante dispõe-se a confabular
sobre o que pensa e acredita ser.

Consigo não traz benefício algum
de justiça, nem de verdade se consola.
Abre livros. Lê poemas. Filosofa sobre
um tal Foucault, mas a inútil trajetória
não tem de seu a oferecer. Porém,oferece
uma fotocópia dos pensamentos notáveis;
fala em resgate, igualdade, do sol e luta.
E desde manhã mergulha nos confins
de uma consciência em fuga
e nas tentações.

Não há descanso, nem felicidade
nas palavras que lhe saem assoberbadas
como críticas escritas em vazias colunas;
vazão efluente a pedir socorro e amparo.

Uma vida com amor é chama e arrebata,
e aquece o nosso coração gelado.
É como aurora no dia, majestosa manhã.
É o dia de amanhã para o vencedor
das próprias dores, entregue em Deus.
Porque o insólito gemido é dor alheia;
é o irmão que sofre, mas tem coragem
de lutar calado pelo pão da vida.

Porque o amor é as cores eleitas,
acolhidas postas em meio às lágrimas
e no vale da sombra da morte
o amor é a cruz que Jesus carrega.




Psicanálise televisiva 

Saudáveis passeios esperam,
pelo reino esperam, enquanto
são devorados os livros
pelas traças e pelos traços
do tempo do zelo pela ignorância.

A última pomba voou
e levou a poesia
que havia nos versos
de um outro tempo,
nos versos que antes
havia na música e na vida.

Mas esses "reis" que são ídolos
e de seus tronos assistem
ao programa de sempre,
no êxtase da mediocridade
jogam pipocas no reino
e riem como ninguém.

Não sabem os homens
o quanto se enganam,
deixando para depois
o acerto com a Verdade
que somente há no Senhor




O que há de bom

Há tempo a estrada corre
levando-nos e trazendo à procura
de quase nada, já que o final das contas
tira-nos até mesmo a carne.

A chuva desce dos céus
trazendo vida com ela,
já a poça que se forma traz
da infância saudade enorme.
Imagem dos pés descalços
com a lama encobrindo a pele
e à tarde sinos tocando
como velhos companheiros
serenos da minha idade,
já que a verdade é longa
e mostra-se enquanto passa
lembrando-me a todo instante.

Porque nas buscas é que nos perdemos
para o mais simples, ou o mais belo,
e os encantos que nos iludem
causam-nos a dor maior.
Porém, quando amanhece o novo dia,
deitam-se as sombras pelo chão molhado
que o sol logo vem secar e a dúvida
perde sua hora e chance de existir.

Todos os sons que se fazem, fazem
sorrir o coração dando sentido à vida.
Não há limites nem acordos se prescrevem
nas relações abençoadas por Deus.




O amor não tem limites

Eu vinha de andar pelos caminhos
que sempre davam em nada
e corrompidos se faziam
na verdade das intenções.

Meus pés brandamente pisavam
e tudo parecia suave
quando no peito meu coração ardia.
Eu ia e seguiam meus passos
os passos de muitos que se vestiam
de irmãos e mostravam-se tão bons.

Mas soprou o vento pelas janelas
e as cortinas se balançaram;
o céu azul e o sol com o frio
formavam aquele contraste
que somente à beleza condiz,
e na forma da lembrança
tudo me veio e tudo se foi.

Não do ouro, não da prata,
mas do Espírito me convenci,
apesar da humana incapacidade
para ser merecedor de salvação.

Encho-me, agora, da Tua presença,
Pai querido e misericordioso,
para dizer-Te sempre
obrigado.




Lobo das estrofes

Libertaram-se os tigres quando a chave eu girei.

Senti meu coração como tesouro saqueado
e dele varri a perversa "brincadeirinha"
que em paranóia já se transformava.

Ruíram-se condenadas antigas edificações
e o frio concreto virou mistura
de poeira e aço.
Amontoei os entulhos e a montanha se ergueu
dos defeitos acumulados, quando concluí
que nos meus vazios fui posto a descoberto
e contornei as tarefas próprias
da mesmice na competição de sempre.
Lutei com unhas e dentes
contra todos os medos, erros fáceis e covardias,
meus parceiros indecisos que derrubam a gente
e servem tão-somente para contar vantagens.

Escalando-me segui e sigo a novidade de vida,
a qual me chega na voz do meu Senhor.
Planto agora a semente
que brota e floresce no meu caminho,
por onde as mãos se oferecem a estender
o tapete que sirva ao Deus do amor.




Pecados

Por demais cansados
com o senso das nossas falhas
deitamos por sobre as folhas
as máscaras que nos encobrem,
as falsidades que em nós vicejam.

Tolo ego, esse nosso!
Somente não se aproxima
da comunhão fraternal e mostra-se
na desenvoltura dos que detém
posse definitiva sobre as coisas do mundo.
Melhor é a sabedoria da simplicidade
que se faz profunda e profícua, pois
não busca o aplauso nem emoções idólatras.
Tem o tamanho da flor e a fragrância mais nobre
pelos seus poros lhe sai
como perfume suave do pão assado e do suor
derramado pela sobrevivência.

Melhor é a humanidade que não está
na palavra da soberba intelectual,
mas no coração habita em paz.
Ela não se compõe de letras
nem tampouco enche as colunas de tédio
e "jogos mentais",
por meio dos quais o "autor" se desnuda
para um público sem percepção.
A palavra que se quer santa
de si mesma jamais se afasta para contar
das feridas alheias o mal que é seu.
Ela é sim para o sim.
Ela é não para o não.

Tudo a mais, afinal, são vaidades.




IDEOLOGIAS

Pelo que me consta, a honestidade não é filiada a nenhum partido, nem tampouco é fundamental para que se faça vitoriosa uma campanha política. Em verdade, a honestidade não é uma característica lembrada por pessoas que buscam, ou detêm alguma espécie de poder sobre outras pessoas. Ela serve apenas para fantasiar os discursos de uma eloqüência demagógica, por mais tola que pareça e seja.
E assim perdemos nosso referencial, que deveria ser o temor a Deus, e passamos a idolatrar - para não dizer "puxar o saco" - a grosseria e a estupidez do homem. A troco de algumas moedas, vendemos nossa falta de caráter; vendemos aquele nosso votinho sagrado, pelo qual, até amigos meus já em outros tempos penaram em prisões e torturas, quando ainda a ditadura era imposta e tínhamos de engoli-la; vendemos nosso direito de opinar e de dizer "não!"; vendemos todas as possibilidades vindouras de exercer algum papel coerente e condizente com o nosso direito e dever de cidadão e, assim, nossa alma também.
Pois, qual é o homem que adquire o direito de oposição, a quaisquer falcatruas, disparates, roubos, desvios, falsidades ideológicas, ou à simples incompetência dos governantes para 'reinar' , se no seu caminhar foi desonesto e barganhou a cadeira que ocupa, o salvo-conduto com qual se encobre, ou aquela rubrica final que determina quantos e quais seres humanos devem ganhar ou perder? Qual é o homem que se encorajaria a subir no palanque da praça e dizer que sua vida está aberta a uma sindicância e que sua consciência não teme a pedra que ele mesmo atira? Qual é o homem que consegue invocar o Espírito Santo, por questões mundanas de benefício próprio, e a Ele sobreviver sem pagar por isso?
Vivemos em um mundo degradante, no qual se tornou comum vilipendiar os nossos irmãos. Vivemos longe do temor a Deus e somos os mesmos herdeiros da conveniência, por força da qual cedemos às tentações e seguimos "cantando de galo". E a covardia é tanta, que a realidade nos massacra ouvidos e olhos com hinos estúpidos; com crianças abandonadas, quando não abortadas; com uma Educação que somente serve de emprego; com uma cultura formada por pernas, bunda e sexo; com um sistema político de fachada neoliberal, mas que não vai além daquela velha rotina enriquecedora dos ricos e exploradora dos pobres, com a qual já nos acostumamos e sobre a qual dizemos apenas "deixa pra lá!".
Em todas as sociedades humanas, a tirania - ou o terrorismo - sempre mostrou suas garras e ainda hoje assim o faz. Engana-se quem acredita que, por exemplo, os afegãos, agora, estarão livres e passarão a viver em paz. Pois, lá naquelas terras também o homem carrega consigo o desejo enorme de poder; e haverá sempre um tirano mais "esperto" que saberá seduzir o povo, com ilusões e promessas de um "Admirável Mundo Novo"; nem que para isso seja preciso criar um horrendo espetáculo, como aquele das chamadas torres gêmeas.
Entretanto, não é a minha intenção, agora, opinar sobre tal questão, referindo-me a um contexto generalizado, ou planetário, por assim dizermos. Meu interesse é convidar você, meu caro leitor, a refletir comigo sobre o nosso cenário municipal. Afinal, se "tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas", segundo Exupèrry - autor de 'O Pequeno Príncipe' -, então eu aqui busco representar os 93 votos que recebi e pelos quais nenhuma moeda, nenhuma cerveja, nenhum jogo de camisa, nenhum litro de inseticida, nenhuma mentira ofereci. Tão-somente ofereci três (03) projetos reais, prontos e acabados, sobre os quais ninguém haverá de dizer palavra, a não ser que eu tome a iniciativa de fazê-lo. Mas também não é sobre isso que desejo escrever, no momento.
Temos visto e ouvido a repercussão das intrigas dos nossos governantes, atuais e passados, aqui em Prudentópolis. Mas não temos nos perguntado a que fim tudo isso nos leva, levou, ou levará... e aceitamos esse jogo de interesses, como se fôssemos idiotas, tolos e de entendimento medíocre. Não é assim?!
Ora, precisamos muito mais do que toda essa balela de "eu fiz!", ou "eu faço!" e não podemos parar no tempo dessas famílias que nos dominam e oprimem nossa capacidade de discernimento, tratando-nos como se fôssemos dependentes de homens como eles, como eles são. Somos dependentes de Deus!... e é a Ele que devemos temer. Afinal, nós não precisamos bajular pessoas que, na verdade, são empregados nossos e contam o dinheiro que o trabalhador e pagador de impostos, como eu e como você, fabricamos, através do nosso suor, senão por meio do sangue nosso.
Sim, devemos respeito a todos que também por nós demonstram respeito. Mas quando eu vejo a cena repetir-se com a hipocrisia estampada nos olhares e vejo cinismos vertendo das línguas, dentes e lábios, certifico-me de que outra vez mais o homem a si mesmo condena, pela sutileza do seu pecado e pela embriaguez de sua ardilosa vaidade. E não posso me calar, feito um covarde que se amedronta com o rugir do inimigo, porquanto o Espírito Santo não está, não esteve e jamais estará com aquele que segue o caminho da conivência, ou da conveniência. Esse é o homem que, como Pilatos, lava suas mãos, fingindo-se de cego perante a improbidade dos fatos, a inexatidão dos argumentos utilizados, a injustiça que se mostra conveniente e a mentira que, há muito, deveria ser instituída nesse nosso País de Leis e "leis".
Há um mundo aí fora e sobre duas pernas andam as criaturas que, como eu, carregam sobre si o peso de um salário, chamado pecado. E não há quem possa dizer que não, que não é cúmplice de sua consciência. Isso, eu afirmo, senhoras e senhores! Porém, fazemo-nos de cordeirinhos, dóceis criaturinhas; humanos que por detrás dos microfones procuram transparecer uma verdade enganadora, parceira daquela imagem que todo "bom" cidadão precisa ter e mostrar à comunidade.
Enquanto a "banda" passa, o que todos nós fazemos? Sentimos medos e necessidades e corremos atrás do sol. Mas o sol amanhã se levanta e corre atrás de nós. E um dia, quando já os anos se cansam da ilusão de correr assim, encontramo-nos com a realidade, a dura realidade do tempo que não volta mais. E a pergunta inevitável é: "Será que valeu a Pena!?"
Por isso, cuidado, meu irmão! Pois, não podemos servir a dois senhores. Ou servimos ao dinheiro, ou servimos a Deus. E a escolha é única. Ela é individual e cabe somente a você decidir qual é o fim pretendido para sua vida, porque na história da Verdade, os fins não justificam os meios e um dia o que se fez às escuras, ou nas trevas, será posto à luz e gritado dos beirais, a fim de que todos ouçam e saibam quem, ou o que realmente somos, cada um de nós. Cuide-se bem, porque "perigos há em toda parte; é bem delicado viver; de uma forma ou de outra, é uma arte".